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 É HORA POMBALINHO
Como natural de Pombalinho, é com grande tristeza que verifico cada vez mais, a degradação Social , Urbanística e Patrimonial da Aldeia, onde tanta geração se fez Homem ou Mulher e que Hoje se encontra tão descaracterizada que dificilmente revemos no nosso Pombalinho, motivos e razões que justifiquem uma visita, com a satisfação de sermos filhos desta Terra.
Tempos houve, em que a População se sentia identificada com a sua terra Natal.
Eu quando era jovem, cheguei a assistir a Peças de Teatro na Casa do Povo, representadas por ACTORES nascidos e criados no Pombalinho. Havia um respeito e uma admiração de quem assistia, por toda esta gente, alguns iletrados, mas com enorme vontade e dedicação a causas e valores. Foi assim, se bem me lembro, que se angariou dinheiro suficiente para se adquirir a "velhinha" Ambulância, que com tanto benemeritismo por parte de alguns, serviu ao longo de tantos anos a População da nossa terra.
Jogamos e acompanhamos a nossa gloriosa Equipa de Futebol para todo o lado, onde quer que se realizasse os jogos. Eram camionetas de acompanhantes que saíam aos domingos do Pombalinho para fazerem a festa, que era a representação da nossa terra, pelo Ribatejo fora.
Tivemos Festas anuais, um Rancho que nos dignificou e encheu de orgulho. Éramos visitados por milhares de pessoas. Tínhamos , pontos de referência, que gostávamos de dar a conhecer a pessoas amigas ou conhecidas.
E tudo isto era fruto de Vontades, que eu hoje não vejo nas pessoas , incluindo os seus REPRESENTANTES, do Pombalinho. Eu sei que os tempos moldaram um pouco as iniciativas e as mentalidades, mas para as adversidades, mais valor terá a coragem e decerto mais saboroso será o exito. Porque, por estas aldeias fora há enormes exemplos de persistência no trabalho que é necessario fazer, para se conseguir algo de gratificante para o Bem estar das Populações, basta só, que não andemos de olhos fechados perante o que se passa bem perto de nós.
É pois com tristeza, que a Autarquia não tenha uma resposta, um gesto, UMA VONTADE, para com aqueles que contribuíram ao longo de toda a sua vida para o Desenvolvimento da sua Terra, e que hoje devido á irreversibilidade da vida, se encontram sós, velhos, e entregues ao seu próprio destino.
É hora de levantarmos a nossa indignação, e projectarmos em alguém com credibilidade e sentido “bairrista”, as nossas vontades e os desejos sempre prometidos mas nunca cumpridos por outros que nos últimos anos nos “governaram”. Porque senão o fizermos nesta hora de difícil escolha que atravessamos, a pouca e cada vez menos identidade que ainda possuímos, será inevitavelmente substituída por outras com mais dinamismo e sentido de oportunidade.
Vamos pois, na hora certa, trilhar o caminho que nos leve a ser novamente a Aldeia viva e virada, para o bem estar de toda a População.
Dezembro_2004


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